22.11.16

Sobre pretender continuar otimista...

Gosto de me definir um otimista, ao menos no geral! Sempre digo que acredito que o mundo está melhorando, ao contrário do que nos querem fazer crer a difusão das informações. Tendo esta premissa, ando me perguntando, nesta noite escuro em que se têm convertido os meus dias, como suplantar a enxurrada de negatividade que tem devastado os frontes progressistas, aqui no Brasil e alhures?

2016, de trás pra frente, significou um avanço do pensamento conservador dappertutto. Não acho que os avanços sociais do passado recente foram uma “concessão da direita”, como defendem alguns, e que agora ela só está retomando o poder, que sempre lhe pertenceu. Acho que as esquerdas precisam virar “a esquerda”, e hoje tenho mais preguiça da extrema esquerda/anarquista, que defende utopicamente a destruição do Estado, agora, do que da extrema direita, que em geral é muito burra.

Voltando ao tema do otimismo, eu continuo crendo que, não obstante as atrocidades do EI ou a eleição do Trump, vivemos tempos melhores. Nossa expectativa de vida continua aumentando, mais pessoas ganham acesso à educação, debelamos a maior parte das doenças que assombravam nossos antepassados (mesmo se criamos outras tantas) e, a sensação de liberdade, como nunca antes na história, é mais abrangente. Um simples estudo que se debruce sobre a história medieval, vai mostrar um mundo bem mais assustador.

Mas, e isso tem despertado minha inquietação, porque os meios de comunicação e diversos pensadores contemporâneos, nos querem levar às margens do desespero? Porque o catastrofismo virou linguagem corrente?

Amigos gays têm-se queixado que aumentou a intolerância e o preconceito... e eu fico absurdado com essa afirmativa: hoje podemos casar, declarar nossos companheiros no imposto de renda, andar de mãos dadas etc. Muitos vão alegar que estou falando sobre uma realidade de poucos e eu só vou fazer notar, que a menos de 20 anos, era uma realidade de ninguém. Óbvio que existem Bolsonaros, mas eles sempre existiram, o detalhe é que agora temos a possibilidade de um Jean Willys (alguém imagina um deputado abertamente gay ser eleito a 50 anos atrás?).

Amigos negros se queixam de um recrudescimento do racismo... e eu argumento que hoje há leis que punem os racistas, há políticas afirmativas, há visibilidade (que precisa aumentar, mas ainda assim é MUITO superior ao que já foi um dia). Eu sei que nesta seara as estatísticas são acachapantes, sei que só de olhar uma cena que mostre cadeias ou favelas, iremos vislumbrar navios negreiros, contudo, vendo ao meu redor tantas negras e negros, irmãs, debatendo e erguendo a voz, sei que um racista precisa pensar duas vezes antes de proferir impropérios, e se não pensar, nossas vozes vão fazê-lo amofinar.

Se penso que mulheres não votavam até a primeira metade do século passado, e hoje temos uma ex-presidenta, duas vezes eleita, não posso que ter certeza que as mulheres não se calaram mais... é daqui para a frente, e nunca para o passado. Aqui também os números admoestam cautela, mas ainda assim não há que se dizer que tem piorado.

No cenário que tento construir no mundinho particular que é minha cabeça, onde eu pretendo permanecer otimista, só uma coisa não faz sentido (muitas não fazem, mas...). Como pode alguém desta geração (estou imaginando pessoas de até 40 anos) se definir conservador? Ouvi parte do discurso de um dos fundadores de um dos movimentos que se empenhou pela saída golpista da presidenta Dilma e ele se dizia conservador de direita, e o cara não parece ter mais que 25 anos. Paralelo a isso, tenho amigos, pessoas contemporâneas a mim, que também se definem como conservadores... e eu me interrogo, C O M O P O D E? É de um estrabismo histórico que assusta...


Até o mais displicente estudante de história, fazendo um esforço por combater o anacronismo, um dos pecados capitais da disciplina, sente um pouco de vergonha alheia, para usar um termo corrente, e até pesar, quando pensa no que significaram para o desenvolvimento da sociedade contemporânea o pensamento conservador... eram conservadores que bradavam, no fim do século XIX, contra o ataque à propriedade privada que significaria a libertação dos escravizados; também conservadores que, já no primeiro quartel do século XX, não admitiam o voto feminino; e ainda uma vez, são conservadores os que acham que pessoas do mesmo sexo não podem se casar em pleno século XXI. Sentimos pesar e vergonha pelos conservadores do passado e sentiremos o mesmo pelos conservadores de hoje. Mas, apesar deles, dos conservadores, iremos adiante com nossas conquistas.

29.5.15

Sobre burrice, mau-caratismo e as dores nas relações...

Tenho uma confissão a fazer: a mim mesmo, porque é o perdão mais importante, e a quem algum dia me ler, porque faz parte de meu tempo se importar com as opiniões alheias, por mais alheias que sejam: eu sinto um certo desespero, que me causa alguma dor, de ler ou ouvir algumas pessoas que amo... [pausa para um suspiro profundo].

Parece contraditório que expressões do amor possam ser associadas ao desespero ou mesmo a uma certa raiva. Uma opção, para atenuar o desespero, raiva, seria deixar de amar - mas sou dos que acredita que o amor tudo vence e é maior que raiva e seus congêneres. Outra possibilidade seria, com todo o amor (há um santo da tradição católica que dizia: ama e fazes o que queres), dizer dos motivos; contudo, ainda uma vez, sou dos que acha que se o "problema" é meu, um amor não deve ser incomodado.

Sempre disse, respeito mais o mau-caratismo que a burrice, pode ser que algum dia eu me dê muito mal por conta disso. Mas é fato, burrice tola me aborrece, me causa desespero, perco o respeito pelos argumentos (e em alguns casos, pelo interlocutor). No momento político em que o Brasil se encontra, onde vivemos um derby contínuo entre "coxinhas" e "petralhas", as pessoas, por atacar um ao outro, descaralham em vales de burrice e desonestidade intelectual. Não há a necessidade de checar as fontes, contanto que ela tire sarro da Dilma (em geral de forma machista e desrespeitosa), chame o Lula de ladrão (ou cachaceiro, conspirador etc.), ou associe algum crápula ao PT, dado que a santidade encontra-se no PSDB e no DEM.

Eu vejo pessoas aparentemente inteligentes, formadores de opinião, compartilhando mentiras deslavadas (e fáceis de serem checadas), fazendo um desdobramento intelectual para justificar seus mais profundos preconceitos e comprazendo-se com gente da mais baixa estatura moral. Os colunistas da Veja e apresentadores da Globo News, nas páginas pessoais destas pessoas, converteram-se em oráculos da verdade e da indignação nacional.

Leio associações esquizofrênicas entre o direito às cotas ou ao bolsa família (sim, amigos brancos e classe média, as cotas e bolsa família são direitos), à formação de milicias supostamente esquerdistas; um programa que levou médicos onde "nunca antes na história deste país" outros médicos, brasileiros, quiseram trabalhar foi atacado de forma vergonhosa -  e a maior vergonha foi a falta completa de proposta para sanar o problema da falta de médicos.

Nós vivemos a era da informação, não é possível que alguém, com o mínimo de discernimento intelectual, consiga continuar a justificar suas opiniões, e posições, políticas só lendo compartilhamentos das matérias da veja, globo e folha no facebook.

Sou um otimista, realmente creio que meu pai viveu em um mundo melhor que meu avô, acredito viver num mundo melhor que o de meu pai e quero trabalhar para que meus filhos, quando os tiver, vivam num mundo melhor que o meu. Penso que as pessoas de minha geração devem ter um anseio semelhante! Mas como fazer disso algo além de uma utopia, quando a mentira e a desinformação são, não só encorajadas, como louvadas, dado que o objetivo é escolher um inimigo e destruí-lo?

As vezes bate um desânimo, mas vou seguir, porque quem não segue, volta!

12.3.13

Sobre surpresas e ser menos nós mesmo...

Eu programo a vida, eu programo o dia, as horas... mesmo não seguindo a maioria daquilo que programo, eu sou daqueles que tem a pretensão de imaginar sempre onde vai estar e o que vai estar fazendo. Sigo um rigorosíssimo código de conduta, que só existe na minha cabeça, que foi forjado por anos imerso em uma cultura machista e cristã (quem sabe um dia terei culhão pra escrever sobre isso). Não gosto de surpresas (meus amigos sabem disso) e fico meio contrariado, as vezes desestruturado, quando muitas coisas não previstas começam a acontecer.

Essa premissa toda pra dizer que tenho trabalhado para mudar. Tenho me surpreendido com as surpresas. Agora mesmo estou vivendo uma surpresa que tem me deixado inquieto, ofegante e com o coração em constante arritmia... em outros tempo, eu já teria estragado tudo por conta dos planos para "daqui a pouco", já teria perguntado que nomes daremos aos nossos filhos ou quais as músicas que ele quer no casamento; mas estou sendo um pouco menos eu e me acostumando com a adrenalina das muitas surpresas...

Não posso dizer que gosto de todas, na verdade - deixa pra lá! Mas tenho gostado de olhar pra mim mesmo dizendo "permita-se". Arriscar me deixa inseguro...

25.2.13

Sobre manias, o mais e o menos, prazos e cartas de suicídio

Sou um homem cheio de manias, sou daqueles que esvazia a mochila todos os dias e repõe as coisas depois a noite para que na manhã seguinte esteja tudo pronto. Odeio pegar em maçanetas de banheiros públicos, sou capaz, caso não tenha papel, de ficar na porta esperando que alguém a abra do lado de fora. Tenho asco de chão de banheiros, mesmo os de casa, e prefiro apertar o dedo na porta que tomar banho descalço. Não tenho TOC, já fui averiguar com especialistas, pois minhas manias não chegam a ser obsessivas (ou são?). Eu gosto de minhas manias, devo dizer, as acho saudáveis e penso que elas me distinguem neste mar chamado humanidade.

As manias fazem parte do jeito Ney de ser... junto com usar reticências e não saber usar, até hoje, as abreviações internéticas (confesso que não as suporto). Sou o cara que vai morrer acentuando idéia (e todas que perderam descabidamente seus acentos nesta última ultrajante reforma ortográfica) e nunca vai deixar de usar trema (imaginem que o apelido do meu pai é Pingüim, tem como escrever sem trema?), meus filhos e netos vão me achar excêntrico e meus alunos vão ter que ouvir 20 vezes minha opinião sobre esta reforma.

Sendo o Ney que sou, percebo que tenho mudado muito ao logo do tempo, acho que sou melhor (e, sem modéstia, esse adjetivo pode ser usado em várias acepções) hoje que fui ontem; mas preciso matar grande parte de mim, TODOS OS DIAS, para caber dentro do mundo que também melhora. Eu acredito em limitações, mas desafiei muitas, venci algumas e perdi várias. Não sou responsável pela felicidade de ninguém, além da minha mesma, mas só consigo escrever isso e nunca viver.

A tempos descobri o pecado que mais me dói (não crendo em deus, não vejo a acepção da palavra pecado imputada em desobedecer alguma lei divina, entendo como uma debilidade do ser homem, do ser mulher neste mundo): sou um que inveja. Não quero que alguém não tenha algo para que eu tivesse; não lembro-me de pensar nesta vileza, contudo, queria ter uma grama parecida com a do vizinho, que quase sempre me parece mais verde.

Adoro hora marcada, odeio atrasos, sou daqueles que chega antes e se não vou chegar antes me desdobro para avisar e depois sou só culpa. Parafraseando alguém: acho que chegar atrasado é usar de poder; eu evito usar este poder quando o posso e fico irritado quando o usam comigo. Gosto dos prazos, mas sempre que eles são SUMAMENTE importantes, eu não dou conta deles e isso me devasta.

Outro dia eu vi, em algum site neste mundo em rede, bilhetes ou recados deixados por suicídas. Alguns bem tristes, outros com uma pitada irônica "de matar" (não pude evitar)... havia um em que o sujeito foi achado na sala de casa com um tiro na cabeça e o bilhete dizia: perdoe-me pela mancha no tapete. Que filho da puta.

Eu digo a meus mais próximos amigos que se me acharem morto e alguém falar em suicídio, que eles mandem investigar, pois eu acho a vida o reino das possibilidades, acho que viver é a melhor opção. Viver comporta tudo: hoje um lixo, amanhã exultante. Não tenho problemas com a dualidade vida e morte, eu prefiro a vida. Meu problema é com a existência... muitas vezes eu odeio existir, mas isso eu não posso cancelar. Pular de uma ponte ou tomar veneno, vai dar em morte, mas a existência fica, mesmo na idéia, saudades ou lembranças.

Se eu fosse cometer suicídio, eu escreveria um livro pra contar pra mim os motivos, eu não me despediria de ninguém, não deixaria cartas com instruções, ora, o suicídio já é um egoísmo e desespero sem limites, pra que as despedidas. Eu escreveria um livro pra mim, contaria tudo e tentaria descobri onde a vida descaralhou de vez pra eu concluir que precisava morrer e deixar pra trás todas as infinitas possibilidades que o viver comporta.

Mais um dia,

NEY Gomes

26.1.13

Sobre planos para daqui a pouco, ou dá dor de não poder planejar...

Pegar um avião direto pra Santiago... chegando lá, antes mesmo de pensar em como a cidade é linda, buscar um trem, ônibus ou qualquer que seja o meio de transporte, para descer em direção sul. Tentar chegar o mais ao sul possível, na Patagônia chilena ou mesmo, decidir atravessar a fronteira rumo à Terra do Fogo argentina... Olhar para as montanhas, buscar uma conversa entrecortada com alguém, usando todo o resquício de espanhol que me resta. Acordar tarde e, morrendo de frio, tomar um daqueles cafés que invariavelmente queimam a língua.

Depois de alguns dias, subir novamente em direção ao norte do Chile, buscando Santiago, que será só um ponto de partida para lavar algumas roupas e novamente pôr-se em marcha rumo ao deserto do Atacama e depois, rumo a Bolívia. La Paz e sua altitude (suspiros); e depois do litoral peruano, Bogotá, Cartagena, Quito, uma tentativa de Caribe até que, 1 mês depois de chegar a Santiago, chego a Caracas... Esses são os planos que não vou mais fazer...

Adoro saber o daqui a pouco... não sou o tipo de pessoa que esperar surpresas, na verdade, meus amores sabem que não gosto de surpresas. Muitas vezes já pedi que me dissessem o fim de um livro ou de um filme (eu sempre prefiro os finais felizes). Gosto de panejar minha vida, faço listas, arrumo a mala até uma semana antes de viajar e por ai vai. Isso não é sinal de organização, ao contrário, sou uma bagunça de gente... sou dos que esquece horários, pega ônibus errado, minhas listas e minha vontade de planejar, são uma tentativa de não sucumbir ao meus próprio caos.

Hoje estou vomitado (nem quente, nem frio, morno, e portanto, vomitado), não consigo planejar pela insegurança de não dar conta do que tenho de urgente. Queria sair correndo, queria sair pra comprar açaí e não mais voltar (uma carteira de cigarro não seria uma justificativa): mas isso seria o cúmulo do desespero - morar sozinho e deixar um bilhete.

Bem... sabendo-me solitário, vou-me ao encontro de mim mesmo...

22.1.13

Sobre a paralisia que se escolhe...

Antes de mais nada, que fique claro, sou um procrastinador! Sou contumaz nesta arte (palavras bonitas pra um vício devastador). Não aprendo a escolher prioridades, deixo pra última hora, sou capaz de dobrar todas as minhas cuecas e organizá-las por cor, tamanho, marca e tecido, mas não consigo organizar os livros e textos vários que devo ler. Minha capacidade de distração é absurda: que os infernos levem pra longe de mim todas as redes sociais e que o youtube saia do ar.

Sou bom escrevendo (não me julguem por este texto, ou por este blogue - ou o façam com parcimônia), contudo, por motivos que só Freud, ou nem ele, poderia explicar, não escrevo minha dissertação. Penso nas coisas mais variadas, de viagens espaciais à consistência ideal para claras em neve, menos nos argumentos que, dentro de pouco menos de um mês, deverei defender diante de uma banca. Sou capaz de listar todos os países europeus, com suas capitais, mas não faço idéia do que quero concluir com mais de 1 ano de pesquisas.

Antes, digo a menos de 1 semana, o pânico apoderava-se de meu coração e dias negros anunciavam-se, mas agora fui invadido por algum cinismo que, não só ameniza o pânico, embriaga-me com algum tipo de esperança. Não sou capaz, dentro da bagunça que sou, de decidir o que fazer e quando fazer, mas tenho esperança - será isso sinal de alguma loucura latente?

Espero, em breve tempo, ter algo LINDO a dizer, mas por hora, só penso que rezar não é uma possibilidade!


14.1.13

Sobre saber-se machucado e seguir...

Doer faz parte de viver! Viemos ao mundo espremidos, empurrados por gritos de dor, gritamos e vivemos. Nada mais inerente à vida que a boa e hodierna dor. Contudo, não pretendo escrever uma ode à dor, não vou cantar as maravilhas da superação, pouco se me interessa que dores nos fazem crescer (algumas nos matam, assim, pura e simplemente!). Escrevo para falar das dores evitáveis...

Eu tenho duas cartas que jamais li (uma confissão); tenho certeza que o que está posto naquele amarelado papel são ofensas a mim (pois todos temos o santo direito de vez por outra na vida sermos filhos-da-puta, ou as pessoas tem todos o direito de nos achar assim). Essa dor, a dor de ler alguém que tem pouca importância pra mim hoje, mas que teve meu passado em suas mãos, eu evitei. Eu evito todas as que posso, pois a maioria delas, das dores da vida, eu simplesmente não posso fazer a menos que sofrê-las com galhardia, ou desbragadamente aos prantos.

Ninguém jamais conseguiu me esculhambar por telefone (um amor conseguiu gritar comigo, uma vez, ao telefone, mas causou-me um impacto tão grande que desde esse dia jamais consegui vê-la como um amor), é uma dor evitável. Eu não vejo filmes de terror, não olho fotos de não sei quem despedaçado ou dos animais sendo estripados não sei onde pra fazer não sei o que. Pra que, me pergunto, porque?! Não paro o carro diante de um acidente, a menos que minha ajuda seja necessária, não olho da janela um corpo estendido e evito os enterros como o Bolsonaro evita os gays.

Eu sei o que me machuca, o que faz meu espírito (posto que tenha um) estremecer; sei o que me faz M O R R E R (desse jeito, bem devagarinho), e, quando possível, evito estas dores... posso passar por covarde, e até negligênte, mas só eu sei de mim, só eu sei das dores que não sei evitar, daquelas que busco inconscientemente, daquelas que caem em mim sem aviso. Pra dar conta de todas as outras e não ficar insensível, evito as possíveis. E vou...

Agora mesmo, estou naquela fase M O R R E N D O, bem devagarinho, como se cada aspirada de ar que traz a certeza da vida, trouxesse junto punhais de dor. Eu permiti que me machucassem como poucas vezes, estou doendo, mas, deste jeito, com alguns sorrisos a menos, vou seguir!

Sinto dor, logo, existo!

P.S.: Pode ter ficado a pergunta: porque guardar as cartas, se elas não foram lidas? Eu as guardo porque calculo que um dia posso querer, por não ter mais nada pra fazer, sofrer esta dor evitada!

11.1.13

Sobre a possibilidade de listar...


Listar é sempre uma possibilidade, e eis-me no início de 2013, listando ainda...

Não ei de voltar às listas anteriores, não vou dizer do muito que não fiz e nem mesmo ater-me-ei à importância do pouco que dei cabo. A única coisa velha nesta lista será minha intenção.

Para 2013, ano que muito me assusta, seja pelo volume de coisa a fazer, que pela dor das eternas pendências, eu quero o novo! Eu desejo, dentro do mar que tenho dentro de mim, força no mastro e confiança no timão. Desejo que as velas, mesmo desgastadas pelos açoites dos muitos ventos, desejem mais que brisas e não se assustem com tempestades. Desejo ainda, que o lastro seja o costumeiro peso da experiência e que os porões, mesmo escuros, não sejam ocupados pelas mágoas ou pelos arrependimentos. Quero que no convés, olhando confiante para o mastro e as velas, estejam o sucesso e a competência.

Partindo da metáfora, desejo para o bom 2013, sucesso!


19.1.12

Sobre listas e balanços...

Escrevi outro dia que adoro listas e compartilhei uma de desejos para 2012... resolvi, antes que janeiro me diga a frase mais assustadora de início de ano (só ano que vem), fazer uma balanço prévio do que consegui ticar... vamos-nos!

Havia prometido começar uma atividade física em uma academia; pois eis que estou matriculado e não tenho me importado em dividir aparelhos suados com gente que pouco se me apetece (prometo escrever sobre academia e gente suada, que ainda acho de verdade ser um ambiente estranho - só não mais estranho que casas de depilação)

Disse que deveria escrever ao menos um artigo a cada 3 meses, ou 4 no ano todo - isso ainda é uma promessa, e vejam que ainda tenho 2 meses para tentar - ei de conseguir;

Eu me dispus a gastar menos dinheiro do que ganho; mas fali depois de uma intempestiva viagem ao Peru... ou seja, não só não cumpri essa, como agi em sentido contrário - arrasado;

Prometi estudar inglês com afinco - mas estou falido e não se estuda inglês sem professor (ao menos eu);

Outra coisa; disse que faria gnochi para alguém que me pedisse e graças aos céus ninguém cometeu esse crime, logo, esse eu espero não ter que fazer;

Eu queria não pensar em voz alta sobre casamento e adoção de filhos, mas isso é meio idéia fixa e continuo nessa vibe - sei que o assusto assusta e prometo até na análise se for preciso, parar com isso;

E, continuo a saga de "Amar" e fazer amigos e manter amigos e falar com amigos de "ontem" - eu acho mesmo que vale muito a pena amar e sigo...


Acho que 2012 começou bem bom, e meu horóscopo disse que será um ótimo ano...

18.1.12

Chocolate quente para aquecer corações


Ingredientes:
1 litro de leite (semi desnatado só para não doer na consciência)
4 gemas (se alguém souber alguma coisa pra se fazer com as claras, me dá a dica)
4 estrelas de anis (elas aquecem o coração - e dão um cheiro)
1 pau de canela (pode ser mais de um)
1 cálice de rum (aquece - super aquece)
1 lata de leite condensado
Chocolate em pó (o do padre, pois se é do padre, há de ser abençoado, visto o pecado das calorias)

Modo de preparar
Não será fácil, mas o cheiro e os calores, vão compensar...

Separe as gemas das claras sem romper a membrana. Com o leite ainda frio, em uma panela de sua confiança, passe as gemas em uma peneira e mexa com um fouet até ter certeza que tudo está dissolvido e o líquido esteja homogêneo. Misture o leite condensado ao leite com as gemas, sempre com o fouet. Leve ao fogo alto com as estrelas de anis, a canela e comece a misturar o chocolate em pó - misture a gosto, veja pela coloração o quanto você quer de chocolate - e saiba que dificilmente ele será em demasia - eu uso em geral uma caixa toda para 1 1/2 de leite. Depois que não tiver nenhuma bolinha, abandone o fouet e use uma colher de pau ou de plástico, adicione o cálice de rum (deixa eu confessar que só usei o conhaque uma vez, pois nunca o tenho em casa) e fique mexendo até engrossar um pouco - mas não vai virar um mingau. Enquanto mexe, pense em coisas boa e no quanto ama as pessoas a quem vai oferecer o chocolate - esse processo leva um pouco de tempo, mas sua cozinha inteira ficará perfumada e você pode vir a se sentir a Juliette Binoche no filme chocolate. Se sua paciência acabar, ou se tiver outras urgências (pois não de chocolate quente se ganha um prêmio por bem receber), saiba que depois que ferver já vai estar bom.

É isso, vamos lá aquecer almas e corações.

IMPORTANTE: Não sirva em xícaras pequenas, prefiras as canecas... não se aquecem corações com pouco!

12.12.11

Sobre listas...


Listar é quase um dever de ofício pra mim, eu adoro listas... faço sem nem sentir e quando vejo lá estão, como um oráculo de mim para eu mesmo... faço listas mesmo se jamais consegui obrigar-me a segui-las, elenco mesmo se não me atenho à ordens. As listas são como que uma tentativa de ajustar e dar ordem a um caos perpetuado; elas simplesmente fazem bem pra minha consciência. E, fato notório, quando consigo “ticar” mais que 50% de uma lista, fico com a égua lavada, com a sensação máxima de esforço recompensado (mesmo que tenha sido só o esforço de ter tentado). Quando não listo as coisas, me esqueço, faço coisas que precisavam de pré-requisitos (que coisa mais odiosa que fazer uma coisa que precisa ser antecedida por algo que simplesmente nos esquecemos por falta de lista?), não me atenho às prioridades, faço merda.

Acho que a época mais legal de todas pra fazer listas é o fim de ano... os elencos deste período viram promessas que prometem mudar rumos de histórias tragicamente consagradas e eu gosto muito de ler as relações alheias.

Cá vos dou a conhecer um rol de “promessas” minhas para 2012:

Começar a fazer uma atividade física em uma academia, por mais odioso que isso pareça e por mais absurdo que seja, pagar pra levantar peso e compartilhar aparelhos suados por gente que não se me apetece;

Escrever ao menos um artigo a cada 3 meses (seriam no mínimo 4 no ano todo), mesmo que os parecistas destas revistas pedantes continuem dizendo que eu não sei o significado da palavra parnasiano;

Gastar menos dinheiro do que eu ganho, por que não adianta querer ter dinheiro se ele não dura o suficiente para me dar segurança financeira nas emergências;

Estudar inglês com afinco, por que, gostando ou não, tenho que ter fluência nesta droga se me pretendo um arqueólogo (e chega de matar os últimos pandas com os efeitos colaterais do meu ódio todas as vezes que tenho que ler vários textos em inglês);

Fazer gnochi para alguém que me pedir, mesmo se eu não gosto desta massa e ter prometido só fazer no meu casamento;

Não pensar em voz alta sobre casamento e adoção de filhos (mas até o ano acabar, vou falar tanto nisso que tenho até pena dos meus interlocutores diários);

Amar... essa promessa não tem senão, eu quero ter disposição para amar, com toda a força, com toda a vontade, com todo o desejo.

E vocês, amigos amores, o que listam para o ano que se aproxima? Compartilhem...

10.12.11

Sobre preferências...
















Prólogo
Adoro café, gosto de todos os prazeres que ele me dá, desde o calor da xícara em minhas mãos, o tilintar da colherzinha mexendo e tocando as bordas da xícara, a aparência fumegante que tem um bom expresso, passando pelo perfume que sinto quando vou chegando a bebida próxima à minha boca e ter o orgásmico momento de sorver a primeira espuma com um pouco de café quente... as variações com leite (sempre em menor quantidade que café) ou outros parceiros, são ótimas também...

No momento estou em Rio Branco, no Acre... Um lugar lindo, uma cidade jeitosa e cheia de charme, mas onde não encontro café - só no hotel pela manhã, e café daqueles feitos aos litros...

Diálogo insólito:
Entrei em um lugar que se chama "Café da Floresta", aqui em Rio Branco. Estava quase em síndrome de abstinência e peço:

- Um expresso, por favo! - afinal, chama-se café da floresta, ora pois!
A atendente:
- O senhor que um café?
Fiquei tão feliz... ela não perguntou o que era - meu preconceito - sabia que eu queria café.
- Sim moça, um café grande... afinal, eu tinha que descontar.
- Só tem de garrafa!?
Minhas esperanças minguaram, mas ainda assim seria café.
- Então traga, mas sem açúcar, por favor...

A moça volta com minha xícara de café e olho pra cara dele e já não gosto, mas tem uma porrada de gente que eu nunca gostei da cara e depois acabei descobrindo que eram gente boa, se me permitem a comparação esdrúxula... e, no fim das contas, eu tomaria quase qualquer café na minha vida...
Pego na xícara e ela está fria e quando provo o café, DOCE (se é uma coisa na minha vida que não deve ser doce, é meu café... espero que minhas professoras sejam doces - eu preciso desta doçura - minha mãe é doce, minha sobrinha novinha em folha, é um doce, mas meu café NÃO)...

Desapontado, mas incorrigívelmente otimista, como o são os viciados com seus vícios, chamo a atendente....

- Moça, moça, por favor, pode trocar meu café, ela está frio e doce, eu quero sem açúcar...
E aqui o diálogo chega no insólito.

- Ela só colocou um pouquinho, afinal, ninguém toma café amargo - me olhando com condescendência.

- Eu quero amargo, amargo, sem nada de açúcar, e quente... eu ainda estava rindo.

A moça pergunta:

- Sem leite também, amargo mesmo?

- Sim! (eu já não ria mais).

- Mas por que? Ela perguntou, sem condescendência e com quase dó de mim...
- Obrigado! Não quero mais.


Moral da História... se você tem preferências não usuais, ou que vão de encontro ao que "todo mundo" gosta, carregue sua preferência com você...

7.7.11

Um amor meu...

[reeditando um poema]
Um amor, para que eu o chame de meu...

Un amore, perché io lo chiame mio...

Só tem que me amar, não louca ou cegamente,

Bisogna soltanto amarmi, non pazza e cecamente,

Mas sincera e apaixonadamente;

Ma sincera ed appassionatamente;

Tem que ter riso fácil, alegria espontânea, que vem da alma;

Bisogna avere riso facile, gioia espontanea; que sorge dell’anima;

Tem que saber perder, mas tem que querer ganhar

Bisogna sapere perdere, ma deve voler vincere

(nem no amor a mediocridade é permitida – que ela chegue sem convite);

(neanche nell’amore la mediocrità ci è permessa – che lei arrivi senza l’invito);

Deve comprazer-se com o belo,

Bisogna compiacersi con il bello,

A beleza é a essência de todo amor,

La bellezza è l’esenza dell’amore,

(mas precisa respeitar e reconhecer o propósito de tudo);

(ma bisogna respettare e riconoscere il proposito di tutto);

Um amor pra eu chamar de meu,

Un amore perché io lo chiame di mio,

Tem que saber olhar nos olhos e ver reflexos da alma;

Bisogna sapere guardare negli occhi e vedere i riflessi dell’anima;

Mas para ser meu mesmo, tem só que querer...

Ma per esse mio veramente, bisogna soltanto voler...

Depois venha abraçar-me,

Dopo venga abbracciarmi,

Serei teu também.

Sarei tuo anch'io.

Mais uma definição...

Falando de mim...


O tempo passa, e passa em uma velocidade absurda... com o passar do tempo mudamos, nos transformamos... e esse sou eu hoje!


Acho meu nome horroroso e odeio saber que foi uma promessa que vou ter que pagar... sou filho único, mas tenho notícia de outros 6 irmãos, não tenho a família que escolhi, mas escolho quem considerar da família. Gosto de estudar (to descobrindo que é a única coisa que sei fazer - ou achava que sabia), mas só estudo bem o que gosto e isso é muito ruim. Tenho muitos sonhos e muita força pra realizá-los, contudo, se as coisas se mostram muito difíceis tendo a desistir;

Fé muita, eu tenho pouca, mas sou um homem que crê no homem, e o ceticismo vive nas cercanias da minha alma (entendam a palavra alma aqui utilizada). Tenho uma alma inquieta, sou pouco objetivo e não suporto palavras que violentamente saem da boca (por exemplo: bilhão, trilhão etc.).

Vivo desturbadamente feliz;
Amo meus amigos, e gosto de saber que eles sabem disso; gosto muito de ler, mas o tempo e, acho, a maturidade, me deixaram muito seletivo, há coisas que simplesmente não considero literatura, não me importando se quem escreveu é ou não imortal da ABL ou considerado clássico.

Sou um viciado por cinema. Odeio pessoas que odeiam muitas coisas (e me odeio por odiar essas pessoas que odeiam); gosto de poesia e acho que todos os meus amigos deveriam ler minhas composições (isso é sério, mas eu entendo os que não querem nem ouvir falar).

Sou daqueles que briga por muito pouco (que o digam os cobradores de ônibus de Belém), mas sei pedir desculpas e não tenho problemas com isso; contudo, tenho pedido, dia após dia, a disposição pra discutir. Não gosto de injustiças, e, por conseguinte, não gosto de me sentir injustiçado.

Escrevo mensagens de telefone sem abreviações, com pontos e gosto de mim por isso, não gosto de separar o lixo, mas faço; não gosto de tomar banho frio, mas tomo; não como pepino nem pra fazer bem pra pele; acho que gente que fala imitando criança merece 30 chibatadas em praça pública, assim como os que "dão-se, sempre, ao jeitinho".

Amo correr na chuva, amo escrever cartas e também poesia; adoro fazer massas para os amigos e meu macarrão não gruda e meu molho dificilmente fica ácido.

Não li todos os livros que tenho e não tenho todos os livros que gostaria de ter... Bem, isso basta... Até porque não acredito que alguém vai ler tudo mesmo. E se quiser saber mais é só perguntar, eu sempre respondo perguntas, por mais sem respostas que elas sejam.

Acredito nos sonhos e em pessoas que tenham forças de sonhar...

3.7.11

Sobre o desafio de cada um...

Acabei de ver uma série no Fantástico que se chama Planeta Extremo, e chorei litros. Já disse isso outras vezes: não crendo em deus, e no mágico e maravilhoso, resta-me crer nos homens; acredito em cada singular ser humano e em duas capacidades, creio na capacidade de escolha que tem casa um de meus pares, dou crédito aos que, com suas escolhas, não cerceiam as escolhas alheias.

Mas qual o porquê de toda minha emoção vendo a tal série? Vi pessoas, com motivações diversas, buscarem a superação. Depois de 42 ou 100 km, correndo a temperaturas baixíssimas e em um lugar onde nem insetos sobrevivem, não resta provar nada a ninguém senão a si mesmo, resta superar medos e limites físicos. Um dos participantes sentenciou uma frase, que bem poderia inspirar livros de auto-ajuda, que chamou minha atenção: a dor é passageira, desistir é pra sempre.

Todos temos limites a superar, todos queremos fazer coisas que julgamos difíceis, por vezes impossíveis. Enquanto seres humanos, diferentes em nossas singularidades, temos limites diversos; para alguns, correr 42 km não é um limite, posto que não é nem mesmo uma possibilidade, mas comprar menos, pedir desculpas, não sair naquela noite, largar um vício, dizer eu te amo, e tantos outros itens, neste elenco de coisas que faz o viver moderno, sim que são limites a superar...

O meu limite atual é a conclusão de meus trabalhos acadêmicos, o meu limite a superar é conseguir ler 100 páginas em 6 horas e depois escrever, ora 7.500 palavras, ora 2.500... Eu deveria ser um atleta desta competição, onde eu devo vencer a mim mesmo, intelectual, deveria ter treinado, mas, imprevidente, parto para o desafio só com a vontade e a esperança, coisas que para um cético, nem fica bem dizer...

Superar desafios, superar-se, é próprio da humanidade... e, fazendo parte desta, vou-me a superar este que sou eu!