Pode um ser que atrela sua felicidade a outrém ser feliz? Parece redundante mas me ponho essa questão depois de ter sido informado, de forma categórica, que nem a Raposa e menos ainda o Garoto, serão felizes! E não o serão, jamais...
Sentir-se "eternamente" responsável por seus amores esta inversamente proporcional à possibilidade de ser feliz?
30.12.09
Sobre dias cinzas e almas opocas...
A expressão chove fora e dentro de mim deveria fazer entender que houve uma mimetização entre o sujeito, EU, e a paisagem, tempo/clima. Olho o entorno e vejo um cinza triste e percebo que esta tristeza mais me agrada que desagrada. O verde esperança e o amarelo prosperidade, neste momento, tenderiam a oprimir; já o cinza, o bom e velho - pois cinza tem cara de velho, tente a compreensão!
Contemplo o cinza destes dias de Belém como alguém pouco afeito ao colorido do fim de ano, não com tristeza, mas com lucidez. Mas isso é estado de alma, uma alma opaca não tem a dizer às cores com que a vida deseja pintar a existência. Só sonhos, e seus tons pastéis, podem mudar algo em uma alma opaca.
Contemplo o cinza destes dias de Belém como alguém pouco afeito ao colorido do fim de ano, não com tristeza, mas com lucidez. Mas isso é estado de alma, uma alma opaca não tem a dizer às cores com que a vida deseja pintar a existência. Só sonhos, e seus tons pastéis, podem mudar algo em uma alma opaca.
29.12.09
Sobre a vilania da raposa e a presunção de inocência do Príncipe
Os mitos nos são caros... desde que decidimos acordar a vida em sociedade, construímos modelos, analisamos possibilidades. Minha história com O Pequeno Príncipe começa com a idéia de um modelo a seguir, de uma forma de agir: o essencial é invisível aos olhos! Somos, eternamente, responsáveis por quem cativamos.
Há o que não se desenvolve por puro instinto, e penso ser a amizade uma destas coisas; amizade requer tempo, paciência, doação e reciprocidade. Mas esta é sempre uma idéia pessoal.
Ainda analisando as relações de amizade usando como parâmetro a proposta da Raposa ao Pequeno Príncipe, duas coisas ainda me ocorrem:
A vilania inata da raposa e a presunção de inocência do príncipezinho.
A Raposa exige? É ela a medida do seu amor? Porque ela quer ser cativada (e aqui cabem considerações sobre a tradução da palavra "apprivoiser" - no francês - que pode significar também domesticar)?
O Príncipe não sabe e pergunta repetidas vezes o que significa cativar, ao que a Raposa diz que significa criar laços; ele já tinha ouvido, em suas viagens, outros conceitos e muitas vezes não se convenceu, ele intui que foi cativado pela sua Rosa ele decide criar laços com a raposa, que será sempre uma raposa, um animal que prefere ser domesticado, cativado, a ter que ser caçado e virar casaco.
Sobre a Raposa e o Príncipezinho I
E ai me perguntaram para o que estou pronto? E lhes explico a seguir...
Sabem, sou um bom amigo, sou daquelas pessoas que liga, se importa, escreve, lembra (menos de aniversários), faz questão (mesmo sendo possível que alguns digam que isso não é de todo verdade)! Sempre achei-me, e disse a muitos, responsável por aqueles a quem cativei, responsável por aqueles a quem disse "te amo"! Li a muitos anos, de não lembrar quando, o célebre diálogo do pequeno Príncipe cabelos dourados e da raposa amante de galinhas, li e tomei como exemplo a ser aplicado na vida. Mas perdi nos últimos dois anos 2 pessoas que me eram únicas e por quem eu sou responsável. Perdi duas pessoas que muito me amavam (não tenho, infelizmente, como por este verbo no presente). E passei a refletir se havia algo de errado sobre a forma como AMO!
Eu amo e quero ser amado como a raposa e o que há de errado nisso? Posso ser o vilão da estória por me sentir responsável por aqueles que cativo? Bem, refletindo, acho que não... e percebo o erro agora!
O que eu sou, a forma como amo, é minha, é particular... a Raposa não deu escolha ao Príncipezinho, ela disse como o amaria e disse que ele deveria fazer o mesmo. Mas atenção, ela não exigiu dele o amor, ela não o pressionou... e como é uma metáfora pra a vida, não é ilícito querer ser amado como único, mas exigir esse amor pode ser uma prisão aos outros.
Ainda vou continuar me sentindo responsável por meus amores, e possivelmente vou sofrer, pois sou meio Raposa e bem menos Rosa...
28.12.09
Projeto mais um dia...
O tratado vai mudar... na verdade, continuará pleno de devaneios, e menos propenso a idéias...
um devaneio por dia...
O devaneio de hoje diz respeito à possibilidade de não ser entendido, compreendido, aceito.
Ser aceito tem sido o desafio de todos os homens em todas as civilizações em todos os tempos. Fazer parte, ter o sentido de pertença faz toda a diferença na forma como conduziremos nossas vidas. Alguns escolhem ser aceitos pelas minorias e tornar-se minoria, para assim auto-afirmar-se e ter identidade. Alguns nascem minoria e querem ser maioria e deixam a idéia da identidade para os outros.
Este devaneio me tem feito impressão depois de algumas discussões onde fui chamado de anti-Lula e reacionário e até mesmo (eu pasmo) de direitista. O fato é que isso me deixou profundamente impressionado, pois sempre achei-me do lado de lá... ou seja, construí minha identidade como minoria e agora sou enquadrado em uma espécie de maioria...
O que isso significa?
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