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4.6.10

Sobre a reflexão atual

"E que se eu só escutava somente o silêncio era porque ainda não estava acostumado com o silêncio; talvez porque minha cabeça viesse cheia de ruídos e vozes”. A frase, mesmo se parece, não é de um esquizofrênico, é do Juan Rulfo, no seu Pedro Páramo e reflete um pouco minha reflexão sobre meu atual momento em que me acostumo ao silêncio... não consigo ainda ponderar sobre se gosto ou menos, mas posso fazer comparação e dizer que prefiro ao barulho (mas barulho no bom sentido... se é que existe).

Sou, e me convenço disso dia a dia, um elucubrador, um inveterado, até contumaz, sonhador; houvesse uma competição para devaneadores, seguramente um posto no pódio me seria seguro. Este meu “estado” de ser não me esta agora... encontro-me onde devaneios não me são permitidos, elucubradores são rechaçados como portadores da praga hanseníaca no medievo. Aqui sou um “prático”, um, pasmem amigos, “que age e depois pensa”. Os açoites da vida me estão tirando parte da carapaça que com esmero, fui construindo ao longo de anos. Há que se dizer que fui hábil em eregir as muralhas que me empatam o “dar certo”, e que, possível também, os açoites não consigam por tudo por terra; mas sinto a brisa que vem dos buracos feitos e, mesmo com algum temor, aprecio o frescor. Espero, em algum tempo, querer, por forças próprias, fazer terra arrasada todos os esforços em recintar minha vida.

Uma coisa por vez! Um dia só “por hoje”!