24.4.09
Sobre amizade, amor, diferença e finitude...
Eu queria poder responder a quase todas as perguntas que sinto da humanidade que me circunda com uma das duas frases que escrevi no início deste texto. Uma comleta a outra, ou melhor, uma é a outra. Quando, descontrolado ou menos, grito com alguém, queria, do profundo do coração, responder à pergunta muda "mas porque estas gritando?" estampada na face de meu irmão: porque te quero bem, porque te amo. Quando buzino sem necessidade, quando não dou atenção a alguém, quando, conciente ou inconcientemente, ofendo alguém, do profundo do coração, queria que fosse por amor, por querer bem. Mas não, quando ajo de forma torta, é o egoísmo, é minha falta de cura que faz o que faz...
11.3.09
A "pena" de viver... I
Trabalho, vivo cada respiro para não ter sobre minha lápide, ou impresso na memória dos meus, algo que se assemelhe ao que esta escrito acima. Fico pensando no que pode ser comutado em débito a alguém que se vai deste campo de labuta? A quem se pode dever na hora final? A a resposta mais recorrente que me chega aos sentidos é à Vida.
Viver é pena, viver é pena a ser descontada. A vida é só uma conseqüência, não é escolha objetiva e pensada; ela se nos é dada sem que a peçamos, acontece para todos com um tanto de obrigações.
Meu trabalho, o nosso trabalho, é fazer essa pena valer. Sendo viver uma pena, pena da qual não se escapa a não ser pela injúria da bruta renúncia, e não me azardo em julgar os que a escolhem, mas sendo pena compulsória, e sendo o MUNDO todo a cela que nos foi dada, nos cabe descontá-la bem.
8.3.09
Sobre vilania e heroísmo...
"Há falência na criação. É por isso que ando descontente. (...) Sim, tudo esta mal arrumado, nada se ajusta a nada, este velho mundo esta empenado, e eu passo para a oposição. Tudo vai de través; o universo impacienta-se. É como os filhos, quem os deseja não os tem, quem não os deseja tem-nos de sobra. Total: eu praguejo".
O trecho acima faz parte do discurso que Vitor Hugo põe na boca de Grantaire, um de seus personagens em Os Miseráveis; e, como quero falar de miséria, lembrei dele... e o acho perfeito para subtítulo de uma das últimas cenas da tragédia humana protagonizadas nestes dias por um eclesiástico católico, uma equipe médica e uma família de miseráveis.
O bispo de Olinda e Recife, usando de suas prerrogativas, excomungou a equipe médica, a mãe, e "todos" os que participaram da interrupção de uma gravidez de gêmeos de uma criança de 9 anos violentada, desde os 6 anos, pelo padrasto.
O bispo foi coerente com seu credo, foi tenaz na defesa daquilo que acredita... mas isso não me faz achar menos vil, absurda, estapafúrdia, uma ignomínia a atitude do eclesiástico. De modo geral admiro os heróis que defendem seus ideais; mas quando essa defesa vem a despeito do respeito pelo outro, quando a cegueira "moral" passa por cima de outrem para afirmar o credo, nestes casos a vilania supera o heroísmo.
Quando ouvi a primeira notícia do caso, a coisa que mais me fazia mal era pensar na criança... pensava nela como uma de minhas alunas da 5ª série, como minha sobrinha; sentia um desconforto na espinha em imaginar esta criatura indefesa sofrendo violência a mais de três anos e ainda por cima grávida de gêmeos. A violência física me fazia tremer, mas a violência psicológica me levava quase ao pranto.
A defesa da vida foi o ensejo do bispo, mas não creio... o que foi defendido foram suas convicções; defendidas com todo o egoísmo e inconseqüência que tais defesas comportam em si. Penso que ele nem levou em conta a criança que talvez não tivesse condições de parir duas outras, ele pensou no que cria e usou de suas prerrogativas. Aborto para ele é pecado passivo de excomunhão, mas estupro de criança é só grave. Ele alija da comunhão dos santos (é isso que em tese faz a excomunhão) pessoas que cumprem leis e tentam fazer dos males o menor, mas sem pensar uma vez se quer na vítima maior. Ouvi suas entrevistas, ele, reacionário e defensor de suas convicções, só fala do pecado, do direito á vida que teriam os embriões, mas não se refere àquela que corria o risco de ser só uma casca para gerar infelizes.
Esse senhor é um vil egoísta... pertence àquela raça que mete medo, seja pela compostura moral que pela falta de poesia.
Não é possível deixar de reconhecer todo o bem que parte dos religiosos fazem à sociedade, há trabalhos louváveis e que fazem a diferença na vida de muitas pessoas. Mas esse bem pode ser feito porque é o certo a fazer... sem precisar ser justificado por qualquer ideologia religiosa. Na verdade seria perfeito se a ajuda ao irmão fosse motivada mais pelo amor à humanidade, pelo amor, que pelo desejo de ir pro céu.
Na verdade queria mesmo (e queria sem querer que as pessoas queiram o que eu quero) é que o bem ao próximo fosse feito por vontade pura e simples; por desejo de ver o outro bem e pronto. Sem outros interesses; sem pensar no que acredito e defendo; sem julgamento sem critério (pois quais eram os critérios do bispo além de uma crença)... mas como já disse Vitor Hugo através de seu personagem "este velho mundo esta empenado, e eu passo para a oposição. Eu praguejo!"
18.2.09
Quando acreditava no paraiso... Quando credevo nel paradiso...

Giorni di paradiso
Mensagem escrita a amigos que viajaram comigo pela Alemanha, fora 20 dias que culminaram em Colônia com a Jornada Mundial da Juventude...
"Com’è il paradiso? Tutti abbiamo un’immagine su quest’idea, si, perché prima di tutto, secondo questo pazzo che vi parla, o meglio scrive, il paradiso è un’idea. Però l’immagine più forte, quella più sedimentata e l’immagine medioevale, gli angeli con le ali bianche, le nuvole bianche, Dio seduto con la Madonna a fianco e alcuni santi dall'altro… un paradiso statico, povero di colori, dove "regna" la pace ed abbonda la monotonia.
Ho riflettuto un po’ su quest’immagine e sono arrivato ad una mia descrizione di paradiso, è l’immagine che ci faccio io. Secondo questo vostro "folle" amico, il paradiso è il regno della libertà, perciò ognuno sceglie come lo vuole. Il mio paradiso ad esempio è così: un mare infinito, ossia tutti i mari sono infiniti; nel mio paradiso non ci sono le nuvole bianche dove camminano i santi; i santi camminano a piedi nudi su la sabbia e gli angeli sembrano delfini che nuotano liberi e felici, sempre.
Non simboleggio il paradiso con il cielo, perché ho vertigine quando sono in alto. Questo particolare paradiso è simboleggiato per delle spiagge; ogni spiaggia con un colore d’acqua diverso, con della sabbia o anche delle scoglie, c’è il sole, che ogni tanto si nasconde dietro le nuvole, come un bambino che gioca con altri bambini. In questo paradiso tutto ha uno spirito infantile.
Nel mio paradiso ci sono tante colori, ma proprio tanti. Il bianco della sabbia, dove rilassano quelli che hanno lottato tutta una vita per la costruzione di un mondo più pacifico; il blu dell’infinito, il verde della speranza, il mare alternasi tra il verde, il blu, il roso ed il giallo, tutti questi colori perché sì uno deve restare tutta un’eternità in un posto, deve avere delle scelte; non posso dimenticare del verde, sì il verde degli alberi, e tutti gli altri colori che si possono immaginare; sembra proprio un dipinto di Van Gogh o Monet.
Nel mio paradiso la gente non fa delle pause per pregare, la vita è diventata una preghiera. Le persone hanno tempo, ci si parla guardandosi in faccia, nessuno è giudicato per quello che ha, neanche per il colore della pelle o anche per qualsiasi altra caratteristica esterna, tutti sono uguali, e meglio ancora, tutti si sentono pari. La religione non esiste, esiste Dio. Noi, figli suoi, lo adoriamo con la vita e capiamo tutti i suoi desideri, nel mio paradiso non esiste più i dubbi.
Nel mio paradiso niente è finito, neanche la scelta del paradiso, siccome è il regno della libertà, uno può anche scegliere di lasciare tutto. Perché nel mio paradiso esiste ancora la passione. Non si soffre nel mio paradiso, perché siamo arrivati al punto di capire anche le ragioni delle sofferenze e così, andiamo avanti; però non posso capire un’eternità senza le prove, senza delle difficoltà, neanche voglio un’eternità così, con tutto ciò, siamo arrivati al punto di capire tutte le cose e così non ci si disturba per le difficoltà.
Ci si ama nel paradiso, ci si ama tanto. Dire io ti amo, o anche ti voglio bene, è diventato un saluto normale, come dire buongiorno. Come non esiste più il dubbio, ci si dice "io te amo", con tutta la certezza del cuore.
I conflitti non esistono, non che tutti siano d’accordo a cento per cento uno con l’altro, ma siccome la libertà è il principio basico, tutti rispettano la "saggezza" dell’altro. La natura è diventata una continuazione della vita di tutti, ci si vivi pienamente.
Insomma, il paradiso sembra, per me, un posto dove la perfezione non è una regola, ma una conseguenza della normalità della vita; ci si arriva senza perseguirla. Alcune volte ho provato costruire il paradiso li, dove sono, con le persone che ci sono intorno a me; ogni tanto ci sono riuscito, ed è stato meraviglioso. Non voglio sperare la morte per trovare il paradiso, chiedo all’Eterno Padre che me lo permetta costruire ovunque vada; voglio avere forza di edificare dei pezzi del paradiso insieme alle persone che ci sono vicine a me."
14.2.09
Felizes e Amados
Eu acho que a vida é feita de encontros, cheios de desencontros; não, isso não é original, isso não é de minha autoria, mas é uma verdade hoje: pessoas “se” encontram, gente encontra gente. O que fazemos depois do primeiro e dos muitos encontros vai definindo qual relação teremos, como nos veremos, de que forma faremos parte uns das vidas dos outros.
Os encontros chegam a ser inevitáveis, mas criar laços é uma decisão de cada pessoa. Nós, individualmente, escolhemos quem vai fazer parte de nossas vidas, ESCOLHEMOS, quem nos fará rir de alegria e contristar nossos corações com a ausência. E, ao cativarmos, nos tornamos responsáveis por elas, pois nos tornamos parte delas.
Um dia, anos fazem, gente que encontra gente, movidos quem sabe porque sortilégio desta vida, em um prédio simples de uma cidade simplória, em circunstâncias vulgares por sua singeleza e naturalidade, encontraram-“se”; a missão era ensinar, mas a tarefa foi mal interpretada e assumida com displicência, e a missão converteu-se em afeição: não mais ensinar, mas cativar e tornar-se responsáveis uns pelos outros.
Até onde iremos? O que nos move? Bem, essas respostas não estão ao nosso alcance. A nós foi dada a capacidade de continuar escolhendo, pois de escolhas a vida é feita. Cada escolha tem seu preço e nós somos responsáveis por aquilo que escolhemos.
Há quem passe a vida à procura da felicidade, o problema é que as pessoas, em sua maioria, não sabem bem o que querem, e usam a palavra felicidade para resumir seus anseios, elas não querem felicidade, elas querem a capacidade de escolher bem, de escolher com sabedoria e de não arrepender-se de suas escolhas. Cada escolha tem sua implicação, o dom de escolher é o que nos distingue, e a capacidade de poder arcar com nossas escolhas nos torna mais ou menos forte.
Não, não quero a pura e simples felicidade, quero a capacidade de escolher com coragem, de resistir à tentação, nobre, de permitir que outros escolham por mim. Hoje como hoje, quando se fala no mais e no menos, eu não penso ser capaz de arcar com minhas escolhas, sou demasiado, mas resisto à tentação.
Há coisas, e tempos e espaços, que não precisão de comprovação, mas somos humanos, como diria o atormentado filosofo-poeta, demasiado humanos, e a tudo submetemos testes; provar é nossa busca mais irritante e infundada, pois, buscando, esquecemos de simplesmente sentir... eu seguirei, sem mais querer provar, mas sendo sempre irritante e infundado.
Nestes dias onde “Amados e felizes”, foi tanto substantivo, quanto adjetivo, eu senti, mas sem me conformar, busquei a prova: sentimentos não devem ser postos à prova, não sabemos mensurar as respostas, eles acabam por confundir o que já era claro e simples, e por isso, bonito e sincero.
Eu já disse que de encontros e escolhas a vida é feita: pois bem, eu vos encontrei e vos escolho, não para o futuro, pois nem sei o que isso significa mesmo, mas para agora, para este tempo, para continuar fazendo parte de minha vida, para fazer parte de suas vidas.
Ainda hoje, de maneiras que não sei explicar, nos encontramos, com anseios diferentes, mas ainda nos escolhemos.
Vos amo...